The Irish Press - Resgates na Colômbia entram em 'fase final' após forte terremoto

Resgates na Colômbia entram em 'fase final' após forte terremoto
Resgates na Colômbia entram em 'fase final' após forte terremoto / foto: Jaime Saldarriaga - AFP

Resgates na Colômbia entram em 'fase final' após forte terremoto

A Colômbia declarou nesta quarta-feira (12) três dias de luto em homenagem aos mais de 230 mortos pelo forte terremoto que atingiu o país, enquanto socorristas e voluntários trabalham sem descanso para resgatar os últimos sobreviventes.

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De magnitude 7,4, o terremoto ocorrido na segunda-feira, às 7h34 locais (9h34 em Brasília), foi o mais mortal a atingir a Colômbia neste século e afetou especialmente localidades do Pacífico e da região cafeeira, no oeste do país.

O governo anunciou que as bandeiras serão hasteadas a meio mastro em prédios oficiais e embaixadas colombianas no exterior, "em homenagem a todos os mortos", cujo número chegou a 239, segundo a autoridade de gestão de desastres.

Nas cidades de Pereira e Cali, as equipes de emergência trabalharam durante toda a noite com guindastes, cães e máquinas pesadas na busca por sobreviventes, enquanto voluntários formavam correntes humanas para retirar os escombros com as mãos.

"Eu sei que hoje e amanhã vamos tirar pessoas com vida (...) Já sou velho, mas sou um sabujo", disse à AFP Julio César Pineda, um socorrista de 67 anos, apesar das jornadas noturnas em meio à escuridão provocada pelos cortes de energia que afetam quase toda Pereira.

"Estamos entrando na fase final das primeiras 72 horas", disse nesta quarta-feira o prefeito de Cali, Alejandro Eder, em referência ao período em que é mais provável encontrar sobreviventes.

"Isso não quer dizer que não haja sobreviventes depois, mas é mais difícil", acrescentou.

- "Carne em decomposição" -

A alegria foi enorme quando as equipes de resgate retiraram com vida Daniela Largo, de 32 anos, após mais de 35 horas presa nos escombros de um hotel em Pereira.

"Estou feliz porque, quando já tínhamos procurado tanto (...) e estávamos perdendo as esperanças, recebemos uma ligação", contou à AFP sua mãe, Sandra Milena Pérez.

Pérez disse que um vizinho ouviu os pedidos de socorro e alertou os socorristas. "Estamos felizes (...) porque em casa um filho de 12 anos espera por ela", explicou.

Nas cidades mais afetadas, famílias dormem em parques por medo de novos terremotos. Mais de 130 réplicas foram registradas desde o tremor.

A solidariedade tem ajudado nas buscas. Milhares de pessoas levaram água, alimentos e suprimentos aos bairros afetados, enquanto longas filas se formaram diante dos centros de doação de sangue.

Em Cali, um grupo de cineastas emprestou microfones, luzes e câmeras para ajudar a identificar qualquer sinal de vida.

Nas áreas mais atingidas, o "cheiro de carne em decomposição" é "muito forte", disse uma socorrista.

A 250 quilômetros ao norte de Cali, em El Cairo, os moradores estão traumatizados.

"As pessoas não querem entrar nas casas, não querem dormir, não sabem o que fazer, porque, além disso, anunciaram réplicas", comentou Adriana González, uma cozinheira de 40 anos.

- Ao relento -

Para enfrentar o processo de reconstrução, o presidente Abelardo de la Espriella, que assumiu o poder há apenas seis dias, declarou situação de emergência no país e anunciou medidas de auxílio aos afetados.

"Hoje, com a luz do sol, já podemos ver uma realidade. O luto, a tristeza e a raiva vão crescer com o passar dos dias", disse Ana Paulina Crosthwaite, uma advogada de 35 anos em Pereira. O prédio onde vivia com o marido e dois filhos desabou.

Sobre enormes montanhas de escombros, socorristas e voluntários levantam os punhos e pedem silêncio para continuar as buscas. Vizinhos e familiares observam apreensivos das calçadas.

Em Roldanillo, uma pequena cidade do Valle del Cauca, Yuliana Méndez, de 43 anos, observa desolada sua loja de cosméticos, que ficou destruída.

"Dói porque é como começar de novo do zero. Mas temos que seguir em frente, o que mais podemos fazer?", disse.

Washington ofereceu US$ 15,5 milhões (R$ 83,8 milhões) em ajuda para enfrentar a emergência. A União Europeia anunciou a liberação de 2 milhões de euros (R$ 12,7 milhões), e a Espanha destinará outro milhão de euros (R$ 6,3 milhões).

Apesar dos rumores de que De la Espriella teria rejeitado a ajuda do governo de esquerda do México, a presidente Claudia Sheinbaum informou sobre o envio de alimentos, água e medicamentos.

O terremoto remete à tragédia de 1999, quando um forte tremor deixou quase 1.200 mortos na região cafeeira.

T.Behan--IP