Kast volta atrás em reforma de segurança com pouco apoio no Chile
O governo do presidente chileno, José Antonio Kast, anunciou no Congresso a retirada de seu projeto de reformas na área de segurança, que teve apoio escasso e críticas de diversos setores políticos, inclusive da situação.
O pacote propunha oito modificações na Constituição, entre elas a criação de um estado de exceção bastante criticado, que poderia ser decretado por 240 dias, sem aprovação do Parlamento, e restringir as liberdades de circulação e reunião em caso de grave ameaça à segurança pública.
Sua retirada na noite de terça-feira foi um duro golpe para o presidente de extrema-direita. O endurecimento das medidas de segurança foi uma de suas principais propostas de campanha de linha-dura contra o crime.
Uma comissão do Senado trabalhou paralelamente em outra reforma para substituir a do governo. O Executivo optou por apoiar esse projeto, que foi apresentado nesta quarta-feira (7).
"Dado esse trabalho (dos senadores) e o respeito aos acordos, não vamos perseverar com a reforma que havíamos apresentado", disse em mensagem televisionada no Congresso o ministro do Interior, Claudio Alvarado.
O novo projeto busca qualificar o crime organizado como uma ameaça aos direitos fundamentais, segregar os presos para evitar crimes planejados dentro das prisões e estabelecer a duração dos estados de emergência em 30 dias, cujas prorrogações devem ter autorização parlamentar.
A proposta original de Kast foi amplamente reprovada pelos legisladores, incluindo vários de seus aliados de direita e membros da própria coalizão de governo.
A ONG internacional Human Rights Watch expressou preocupação com o estado de exceção proposto e outras medidas relacionadas, como a possibilidade de interceptar comunicações e requisitar bens.
Centenas de manifestantes foram às ruas de Santiago em setembro em repúdio às reformas e protagonizaram confrontos com a polícia.
O Chile é um dos países mais seguros da América Latina, embora homicídios e sequestros tenham aumentado nos últimos anos com a chegada de grupos criminosos como o venezuelano Tren de Aragua.
A taxa de homicídios do Chile foi de 5,4 por 100.000 habitantes em 2025, o dobro do registrado uma década atrás.
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N.Behan--IP