Argentina renova acordo de swap cambial com a China por cinco anos
Os bancos centrais da Argentina e da China renovaram por cinco anos seu acordo bilateral de intercâmbio de moedas (swap) de 130 bilhões de iuanes (aproximadamente 97 bilhões de reais, na cotação atual), que vigora desde 2009, informou a autoridade monetária argentina nesta quarta-feira (5).
A renovação ocorre em um contexto no qual o Banco Central da Argentina (BCRA) busca aumentar suas reservas internacionais com vistas às eleições presidenciais de outubro de 2027, que na Argentina costumam ser marcadas por maior volatilidade nos mercados e turbulências financeiras.
A extensão do prazo de vencimento do novo acordo "permitirá dar uma maior previsibilidade sobre a continuidade desta ferramenta", informou o BCRA em um comunicado.
O Banco Central acrescentou que permanece vigente a ativação de 35 bilhões de iuanes (aproximadamente 25,5 bilhões de reais), realizada no começo de 2023, e renovada em 2024 e 2025 destinada a "apoiar a estabilidade financeira na Argentina" e "dar suporte ao comércio e ao investimento" entre os dois países.
A Argentina também assinou em 2025 um swap de moedas com os Estados Unidos por 20 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 110 bilhões, na cotação da época), antes das eleições legislativas de outubro daquele ano.
Durante a campanha que o levou à Presidência em 2023, o presidente argentino, Javier Milei, prometeu que não faria "negócios com a China", nem "com nenhum comunista". Após sua eleição, adotou uma postura mais pragmática, apesar de seu alinhamento com o presidente americano, Donald Trump.
Este guinada se consolidou após a renovação, em 2024 e 2025, do montante ativado pelo swap.
"Uma coisa é a geopolítica e depois está a questão comercial", disse Milei no início de 2026. "Isso não quer dizer que eu não esteja profundamente alinhado geopoliticamente com os Estados Unidos", acrescentou.
A China é a principal origem das importações argentinas, enquanto fica atrás do Brasil entre os destinos da exportação.
N.Behan--IP