Com menos consumo, economia brasileira desacelera no 2º trimestre
A economia brasileira desacelerou no segundo trimestre de 2026, com um crescimento de 0,5% do PIB em comparação com os três meses anteriores, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta terça-feira (1º).
Após expandir 1,1% no primeiro trimestre, a atividade econômica desacelerou em setores como consumo das famílias (-0,4%) e exportações (-0,8%), pouco mais de um mês antes das eleições presidenciais, nas quais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) buscará a reeleição.
O crescimento foi impulsionado principalmente pelo setor agrícola (2,8%) e pelas indústrias extrativas (3,4%), segundo dados do IBGE.
Nos últimos meses, o governo Lula tem promovido medidas para estimular o consumo interno, motor da economia deste país de 214 milhões de habitantes.
No entanto, o Banco Central (BCB) mantém uma das maiores taxas de juros de referência do mundo, em um esforço para conter a inflação, o que limita o crédito ao consumidor e o investimento produtivo.
O Brasil ostenta um índice de emprego recorde, embora o endividamento das famílias também esteja em níveis historicamente altos.
Isso limita "a conversão da renda em consumo, mesmo com o mercado de trabalho ainda aquecido", alertou nesta terça-feira a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a maior do país.
Ainda assim, o crescimento de 0,5% do PIB no segundo trimestre superou a previsão de 0,3% da Fiesp.
O Brasil também enfrenta pressões tarifárias dos Estados Unidos, que em julho impuseram duas rodadas de tarifas sobre os produtos brasileiros por supostas práticas comerciais desleais e outras violações, o que Brasília nega.
Lula, de 80 anos, enfrentará o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas eleições de outubro. Flávio é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso por tentativa de golpe de Estado.
Ch.Anglin--IP