The Irish Press - Leão XIV alerta na França contra os 'desvios' da ciência e da IA

Leão XIV alerta na França contra os 'desvios' da ciência e da IA
Leão XIV alerta na França contra os 'desvios' da ciência e da IA / foto: Mehdi Fedouach - AFP

Leão XIV alerta na França contra os 'desvios' da ciência e da IA

O papa Leão XIV alertou, nesta sexta-feira (25), para o risco de "perdermos nossa humanidade em meio ao 'paraíso das máquinas'", no início de uma visita de quatro dias à França, em meio a crescentes preocupações com a inteligência artificial.

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Ele também criticou práticas como a barriga solidária e a eutanásia, que chamou de "uma oferta de morte programada", afirmando que são "desvios" da ciência não guiados pela consciência.

Esta é a primeira visita papal oficial à França em 18 anos, um país que fez do laicismo um de seus princípios definidores.

Apesar disso, os sinos das igrejas em toda a França tocaram por sete minutos quando o avião do papa pousou, e espera-se que até um milhão de pessoas lotem as ruas de Paris.

"Acabei de chegar e já sinto a emoção", disse à AFP Marion Desjars, estudante de psicologia de Angers, no centro-oeste da França, que viajou para a capital.

Ao chegar, o pontífice americano foi recebido pelo presidente Emmanuel Macron e sua esposa Brigitte, com todas as honras militares.

Sua primeira parada foi no Palácio do Eliseu, onde o líder espiritual dos 1,4 bilhão de católicos exortou à formação de "mentes capazes de discernimento ético, aptas a distinguir o que é moralmente bom", para que o progresso tecnológico possa servir à dignidade humana.

O pontífice já havia dedicado em maio sua primeira encíclica, "Magnifica Humanitas", à inteligência artificial, uma tecnologia que ele pediu que fosse "desarmada" para "impedir que domine a humanidade".

Pouco antes, Macron defendeu a criação de uma "organização internacional" para garantir que os "modelos mais avançados" de inteligência artificial não acabem "nas mãos de poucos".

- "Morte programada" -

Em seu discurso, Leão XIV condenou a "manipulação genética, a barriga solidária, a compra de órgãos" e "a oferta de morte programada".

A França foi o primeiro país a consagrar a "liberdade garantida" ao aborto em sua Constituição e, em julho, aprovou o direito à eutanásia e ao suicídio assistido em certos casos.

"A proteção do direito à vida constitui o fundamento indispensável de todos os outros direitos humanos", afirmou o papa.

Espera-se que um milhão de pessoas acompanhem o pontífice durante seus dois dias em Paris, onde cartazes de boas-vindas podem ser vistos nas igrejas e uma grande tenda já foi erguida para a missa de sábado na Champs-Élysées.

"Estamos muito felizes por estarmos perto dele e compartilharmos nossa alegria com ele", disse Carmen Quintana, uma aposentada de 71 anos e vice-diretora da Irmandade Peruana dos Portadores do Senhor dos Milagres de Paris.

- "Sede espiritual" -

Após sua visita ao Eliseu, o papa visitará a sede da Unesco e fará sua primeira aparição pública a bordo do papamóvel, em um percurso de 2,5 quilômetros pelo centro de Paris até Notre-Dame.

Assim como na Espanha, em junho, o dia terminará com uma vigília para jovens no icônico Stade de France, ao norte de Paris, onde são esperados 80 mil participantes entre 17 e 35 anos, além de música pop e conversas com Leão XIV.

Esta visita em três etapas (Paris, Lourdes e Metz) mobilizará um grande contingente de 15 mil policiais e gendarmes e custará 27 milhões de euros (aproximadamente 159 milhões de reais).

Desde o acolhimento de migrantes até a paz na Europa, o papa abordará uma ampla gama de temas, sete meses antes de uma eleição presidencial muito aberta na França, na qual a extrema direita lidera as pesquisas.

A viagem também ocorre em um momento crucial para a Igreja na França, dividida entre um declínio na prática religiosa e um aumento nos batismos de jovens nos últimos cinco anos.

A visita continuará no sábado e no domingo em Lourdes, onde ele se encontrará com vítimas de abuso sexual dentro da Igreja, e terminará em Metz, com um discurso sobre a paz e a União Europeia.

O.Quinlivan--IP