The Irish Press - Infantino sob pressão da Uefa e da Conmebol

Infantino sob pressão da Uefa e da Conmebol
Infantino sob pressão da Uefa e da Conmebol / foto: Pau BARRENA - AFP/Arquivos

Infantino sob pressão da Uefa e da Conmebol

O pedido de desculpas não aliviou a pressão sobre Gianni Infantino: a Uefa manteve, nesta quinta-feira (6), a ameaça de boicote às competições da Fifa, e sua equivalente sul-americana (Conmebol), próxima do dirigente, questionou "as ações unilaterais reiteradas" da entidade máxima do futebol.

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Infantino não tem tido trégua desde o fracasso de seu plano de abrir a Fifa a investidores privados. No entanto, apoiado por seus aliados leais, ele está confiante de que será reeleito para mais um mandato de quatro anos nas eleições de março de 2027.

A cúpula da Fifa expressou "apoio total" ao dirigente ítalo-suíço durante uma reunião de emergência realizada na quarta-feira em Rabat, capital do Marrocos, ao mesmo tempo em que se desculpou pela polêmica gerada pelo projeto, já descartado.

Único candidato declarado até o momento, Infantino precisa garantir a maioria dos 211 votos dos membros da Fifa para ser reeleito para o cargo que ocupa desde 2016.

- Uefa lidera oposição -

O polêmico projeto foi oficialmente abandonado, mas a Uefa não está recuando. Nesta quinta-feira, a entidade europeia reiterou sua ameaça de boicote às competições da Fifa, incluindo a Copa do Mundo.

Além da retirada do projeto, uma exigência já atendida, a poderosa confederação pede "garantias de que tais tentativas de desfigurar o futebol dessa maneira nunca mais voltem a acontecer".

"Estas condições não foram cumpridas", considerou a Uefa em comunicado enviado à AFP, no qual reafirmou ter "perdido a confiança na presidência de Gianni Infantino".

A Uefa também pode contar com o apoio da Associação Europeia de Clubes (EFC), cujo presidente é o influente Nasser al-Khelaïfi, também presidente do Paris Saint-Germain.

Várias federações europeias (Finlândia, Sérvia, Suécia, País de Gales...) já retiraram publicamente o apoio a Infantino na eleição, e espera-se que as principais também se posicionem em breve.

- Conmebol questiona plano -

A Conmebol, primeira confederação a anunciar apoio à reeleição de Infantino, tem sido muito cautelosa desde o início da crise.

A entidade sul-americana conta com apenas dez membros filiados à Fifa, embora inclua alguns emblemáticos, como Brasil e Argentina.

Nesta quinta-feira, sem mencionar diretamente Infantino, a Conmebol manifestou "preocupação unânime em relação a ações unilaterais recorrentes, tomadas sem recorrer ao diálogo, nem aos mecanismos institucionais estabelecidos para tratar este tipo de situações".

Apesar das críticas, a confederação defendeu o respeito à integridade institucional e rejeitou qualquer iniciativa para destituir o dirigente.

- Concacaf hostil -

A Concacaf, que reúne 35 federações filiadas à FIFA da América do Norte, América Central e Caribe, se juntou à Uefa ao criticar a iniciativa de privatização.

Após expressar sua "profunda preocupação com a falta de um devido processo em torno desta proposta", a Concacaf exigiu "maior transparência e uma governança adequada" da Fifa.

Seu presidente, Victor Montagliani, é apontado por diversos veículos de imprensa como um possível adversário de Infantino nas eleições.

- África como apoio -

Com seus 54 membros filiados à Fifa, o maior número depois da Uefa, a Confederação Africana de Futebol (CAF) é uma aliada fundamental para Infantino.

O continente africano é um dos principais beneficiários dos programas de desenvolvimento do futebol.

"A África deve ter o cuidado de não participar do linchamento público de Infantino. Ele contribuiu muito para o futebol africano", disse, em publicação no X nesta quinta-feira o ministro do Esporte da África do Sul, Gayton McKenzie.

O presidente da Fifa também pode contar com o apoio de Fouzi Lekjaa, presidente da poderosa federação marroquina, com quem apareceu na quarta-feira durante um jogo da Copa Africana de Nações feminina.

- Ásia dividida -

A Confederação Asiática de Futebol (AFC), que conta com 46 membros filiados à Fifa, não se manifestou claramente contra Infantino, mas considerou que o projeto "evidenciou as fragilidades fundamentais dos processos de consulta e tomada de decisão" e pediu "uma revisão urgente da estrutura de governança".

Mesmo assim, o presidente contou com o apoio de várias federações da Ásia que elogiavam o "mérito" da proposta da Fifa e a "sabedoria" de abandoná-la.

Em contrapartida, o presidente da federação jordaniana, o príncipe Ali bin Al-Hussein, candidato derrotado à presidência da Fifa em 2016, acusou Infantino de "chantagem".

A Confederação de Futebol da Oceania (OFC), por sua vez, não adotou uma postura mais combativa e se limitou a convidar suas 11 associações-membro a "estudar" a proposta e a "participar do processo de consulta" iniciado pela Fifa.

C.Keough--IP