The Irish Press - Trump assegura que Irã pediu cessar-fogo, mas Teerã desmente

Trump assegura que Irã pediu cessar-fogo, mas Teerã desmente
Trump assegura que Irã pediu cessar-fogo, mas Teerã desmente / foto: Brendan SMIALOWSKI - AFP

Trump assegura que Irã pediu cessar-fogo, mas Teerã desmente

Donald Trump assegurou, nesta quarta-feira (1º), que o Irã lhe pediu um cessar-fogo e ele condicionou a trégua à reabertura do Estreito de Ormuz, mas Teerã desmentiu as declarações do presidente americano.

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Trump fez este anúncio em sua rede, Truth Social, em um dia de expectativa pelo discurso que fará às 21h locais (22h de Brasília).

O presidente americano alterna ameaças com anúncios de negociações em andamento e afirmou, na terça-feira, que a guerra poderia terminar em "duas, talvez três semanas".

Trump disse que o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, "acaba de pedir aos Estados Unidos da América um CESSAR-FOGO!".

Mas na mesma publicação, assegurou que só vai considerá-lo "quando o Estreito de Ormuz estiver aberto, livre e desocupado". Caso contrário, o Irã será bombardeado.

O bloqueio desta via crucial para o comércio mundial de hidrocarbonetos provocou uma forte alta nos preços da energia, o que põe Trump sob pressão em um ano de eleições de meio de mandato.

Horas depois, o Irã desmentiu que tivesse pedido uma trégua. "As declarações de Trump sobre um pedido de um cessar-fogo do Irã são falsas e infundadas", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, citado pela TV estatal do país.

A guerra, desencadeada em 28 de fevereiro pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, deixou milhares de mortos e provocou bombardeios iranianos contra países do Golfo e Israel, além de novos confrontos no Líbano entre Israel e o movimento pró-iraniano Hezbollah.

A Guarda Revolucionária, exército ideológico da República Islâmica, assegurou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado aos "inimigos" do país.

O presidente iraniano tinha evocado, na terça-feira, a vontade de "pôr fim" à guerra, mas exigiu garantias e reiterou pedidos, como o pagamento de compensações financeiras.

Novos bombardeios sacudiram a capital iraniana nesta quarta-feira, causando danos ao muro da antiga embaixada americana, um local simbólico da hostilidade entre os dois países.

A Guarda Revolucionária confirmou, nesta quarta-feira, ter atacado um petroleiro no Golfo, assegurando que era israelense. O Catar informou que o navio tinha sido fretado pela QatarEnergy e que foi atingido em suas águas territoriais.

- "A campanha não terminou" -

No entanto, as repercussões econômicas do conflito continuam e o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, advertiu que "os próximos meses poderiam não ser fáceis" pelo impacto da guerra.

No Golfo, vários países voltaram a ser alvos de bombardeios iranianos.

Nos Emirados Árabes Unidos, um bengalês morreu e um cidadão indiano ficou ferido com fragmentos após a interceptação de drones e no Kuwait, o Banco Nacional anunciou o fechamento de sua sede central durante dois dias por causa dos ataques.

Israel, por sua vez, anunciou que continua bombardeando o Irã com uma "onda de ataques de grande alcance" na capital, onde jornalistas da AFP ouviram fortes explosões.

Segundo a agência Mehr, vários prédios residenciais foram atingidos por projéteis, deixando feridos.

Em Teerã, milhares de iranianos compareceram, nesta quarta-feira, ao funeral do comandante da Marinha da Guarda Revolucionária.

"Vingança!", dizia em inglês um cartaz levado por uma criança.

Em Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, assegurou que "a campanha não terminou". Seu país segue sendo alvo de disparos de mísseis iranianos e os serviços de emergência reportaram 14 feridos.

Israel também sofreu um novo ataque dos huthis, grupo rebelde do Iêmen aliado do Irã, o terceiro desde que os insurgentes se somaram ao conflito, no fim de semana passado.

No Líbano, um total de 1.318 pessoas morreram desde 2 de março, quando começou a guerra entre Israel e o movimento pró-iraniano Hezbollah, anunciou o Ministério da Saúde do país.

O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra, disparando mísseis contra Israel para vingar a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, falecido no primeiro dia da guerra.

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, advertiu que seu país tem a intenção de ocupar uma parte do sul do Líbano quando a guerra tiver terminado.

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P.Grannan--IP