The Irish Press - Irã ataca alvos americanos no Kuwait apesar das ameaças de Trump

Irã ataca alvos americanos no Kuwait apesar das ameaças de Trump
Irã ataca alvos americanos no Kuwait apesar das ameaças de Trump / foto: - - AFP

Irã ataca alvos americanos no Kuwait apesar das ameaças de Trump

O Irã voltou a atacar alvos militares dos Estados Unidos no Kuwait nesta quinta-feira (3), ignorando as ameaças do presidente Donald Trump.

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O Exército do Kuwait informou que interceptou um ataque com mísseis e drones procedentes do Irã, depois que Teerã anunciou uma ação contra a base aérea de Ahmad al-Jaber.

O Kuwait classificou o ataque como uma "ameaça direta à segurança e estabilidade" do país, além de uma "grave violação das normas do direito internacional".

O Exército do Irã também anunciou um ataque contra a base aérea de Al Minhad, nos Emirados Árabes Unidos, mas este país do Golfo não relatou nenhuma ação do tipo.

Na quarta-feira, o Irã prometeu transformar o inimigo americano "em pedaços", após ataques contra seu território que, entre outros alvos, atingiram um casamento.

Segundo Teerã, os bombardeios deixaram 19 mortos, incluindo sete integrantes das Forças Armadas e também civis, um dos balanços mais elevados dos últimos meses.

Quatro vítimas acompanhavam uma cerimônia de casamento no distrito de Sirik, sudeste do país, onde quase 70 pessoas ficaram feridas, segundo a imprensa estatal.

- Petróleo em alta -

Neste cenário, os mercados de petróleo voltaram a sentir o impacto e, em meio a uma inquietação generalizada, passaram a operar em alta. Pouco depois das 10h00 GMT (7h00 de Brasília), o preço do barril de Brent do Mar do Norte para entrega em novembro subia 1,24%, a 96,82 dólares. Seu equivalente americano, o barril de West Texas Intermediate para entrega em outubro, avançava 1,36%, a 92,25 dólares.

"Ontem à noite destruímos muito mais do que o radar deles. Foi um ataque muito contundente, e estamos preparados para lançar outro a qualquer momento que quisermos", advertiu Trump na quarta-feira.

As hostilidades foram retomadas no domingo, o que acabou com um mês de trégua.

- Uma "nova estratégia" -

Teerã advertiu na quarta-feira que adotará uma "nova estratégia" na guerra iniciada pelos Estados Unidos e por Israel no final de fevereiro.

"Em breve vocês verão que a nova estratégia do Irã no campo de batalha, na diplomacia e no enfrentamento do bloqueio econômico fará seus alicerces em pedaços", publicou o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezai, no X.

O principal negociador e presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, chamou os Estados Unidos de "Satã" após o ataque contra o casamento. Ele recordou o bombardeio de uma escola em Minab que, segundo Teerã, matou 155 pessoas, incluindo 120 crianças, nas primeiras horas da guerra, em 28 de fevereiro.

Sem fazer referência direta ao ataque à festa de casamento, o comando americano para o Oriente Médio afirmou que "o Exército dos Estados Unidos nunca ataca civis, ao contrário da Guarda Revolucionária".

As imagens que mostram os danos no local do casamento foram amplamente difundidas no Irã.

O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, condenou um "crime de guerra" e lamentou que "uma cerimônia de casamento tenha sido brutalmente bombardeada no contexto da luta desesperada dos Estados Unidos para ocultar seu fracasso".

- "Estreito de Trump" -

Desde o início do conflito, o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, onde a atividade comercial, salvo em ocasiões pontuais, tem operado em níveis mínimos.

Por essa rota marítima transitavam antes da guerra 20% das exportações mundiais de petróleo e gás natural liquefeito.

O presidente americano propôs na quarta-feira mudar seu nome para "Estreito de Trump", mas depois deu a entender que não falava sério ao ser questionado pela AFP a respeito.

Segundo a Guarda Revolucionária iraniana, dois petroleiros pegaram fogo na quarta-feira após uma colisão com minas no Golfo, quando navegavam fora da rota designada pelas autoridades iranianas.

Como parte de sua promessa de submeter a República Islâmica a uma "asfixia" econômica, Washington impôs um bloqueio aos portos iranianos e, recentemente, anunciou uma nova rodada de sanções secundárias contra os parceiros comerciais de Teerã.

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