The Irish Press - Flávio Bolsonaro se impõe contra Lula, impulsionado por onda conservadora

Flávio Bolsonaro se impõe contra Lula, impulsionado por onda conservadora
Flávio Bolsonaro se impõe contra Lula, impulsionado por onda conservadora / foto: Evaristo Sa - AFP

Flávio Bolsonaro se impõe contra Lula, impulsionado por onda conservadora

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chega em posição de força ao segundo turno, em 25 de outubro, impulsionado por uma onda conservadora contra a qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá de lutar para tentar uma virada.

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O senador, de 45 anos, obteve 47,03% dos votos no primeiro turno, no domingo, contra 45,16% de Lula, a quem as pesquisas davam uma pequena vantagem até a véspera da votação.

Ele somou 56 milhões de votos, mais do que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no primeiro turno de 2018, que venceu (49 milhões), e de 2022, que perdeu para Lula (51 milhões).

O avanço da direita também se reflete no Congresso. O bolsonarismo quase dobrou suas cadeiras no Senado, que passaram de 15 para 28, com figuras como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos rostos jovens do movimento conservador, tornou-se o candidato ao cargo mais votado da história do país, com mais de três milhões de votos.

Flávio venceu ainda nos maiores colégios eleitorais do país, isto é, os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

A Bolsa de São Paulo abriu nesta segunda-feira em alta de 8%, um claro sinal de apoio dos mercados ao senador.

Flávio Bolsonaro, pouco conhecido em nível nacional há alguns meses, se define como "mais moderado" do que o pai, condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado contra Lula. No entanto, faz questão de lembrar que o político de extrema direita é sua "bússola".

- "Prorrogação" -

Lula, de 80 anos e em busca de um quarto mandato, admitiu que o resultado foi "inesperado"."Estamos na prorrogação. Na prorrogação nós vamos convencer o povo brasileiro", disse em São Paulo.

O mandatário concentrou sua campanha na defesa da soberania diante da pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e em recordar o legado de seus três governos, com uma longa lista de programas sociais.

Seu adversário prometeu combater o alto preço da carne e de outros produtos, além de adotar linha dura contra a insegurança desenfreada.

"Está decretado o fim da era do PT, a mudança no nosso país", afirmou um triunfante Flávio Bolsonaro no domingo, em Brasília.

- Brancos, nulos e abstenção -

"O resultado foi um voto pelo bolsonarismo e um voto pelo antipetismo", disse à AFP Carolina Botelho, doutora em Ciência Política pelo IESP/UERJ e pesquisadora no INCT/SANI/CNPq.

"Lula ainda tem chances", mas desde o retorno da democracia, quem sai em vantagem no primeiro turno de uma eleição presidencial no Brasil vence o segundo, lembrou.

Segundo a analista, o esquerdista vai buscar quem votou em branco ou nulo e quem não compareceu às urnas. A abstenção girou em torno de 21%.

Os candidatos menores, que dividiram um percentual de quase 8% que pode ser determinante no segundo turno, são todos de direita.

Durante o terceiro mandato de Lula, a inflação se manteve sob controle e o desemprego caiu, mas os brasileiros reclamam do custo de vida e estão cansados da criminalidade.

Há quatro anos, Lula derrotou Jair Bolsonaro por apenas 1,8 ponto percentual.

- Apoios externos -

A vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula se inscreve em um fenômeno global de crescimento da direita, que vem vencendo diversas eleições na América Latina sob a influência de Trump.

O presidente argentino, Javier Milei, parabenizou no X o senador por sua vantagem sobre o "comunista" Lula.

"Hoje meu coração está com o Brasil; que Deus tenha piedade do país irmão, como teve da Colômbia. A verdadeira mudança é derrotar a esquerda", escreveu o colombiano Abelardo de la Espriella na mesma rede.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, desejou nesta segunda-feira a Flávio uma "grande vitória" no segundo turno.

Trump, que impôs tarifas e sanções ao Brasil após a condenação de Jair Bolsonaro, não apoiou explicitamente seu filho, mas afirma acompanhar "muito de perto" as eleições.

D.Lynch--IP