Trump anuncia 'cessar-fogo energético' entre Rússia e Ucrânia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo (11) que Ucrânia e Rússia alcançaram um acordo de "cessar-fogo energético", em meio às crescentes tensões do mandatário com seu homólogo ucraniano, Volodomir Zelensky, por um pacto entre Moscou e Washington sobre o diesel.
A Rússia, que iniciou a invasão em larga escala da Ucrânia em fevereiro de 2022, intensificou os ataques contra infraestruturas energéticas ucranianas nos últimos meses, enquanto Kiev mira as refinarias de petróleo russas.
"Com efeito imediato, há um CESSAR-FOGO ENERGÉTICO na guerra entre Rússia e Ucrânia. As partes concordaram. Não o quebrem!", escreveu Trump em sua plataforma Truth Social, sem revelar mais detalhes.
A Rússia não reagiu ao anúncio.
Zelensky se mostrou surpreso, mas disposto a aprovar o acordo.
"O anúncio da trégua foi uma novidade para mim", declarou Zelensky ao portal Axios. Mas, se o presidente Trump negociou com o presidente russo Vladimir Putin, "estamos preparados e vamos aceitar", acrescentou.
"A Ucrânia apoia o cessar-fogo, e é importante que a Rússia o apoie também. Estamos esperando os detalhes da parte americana", publicou Zelensky em sua conta no Facebook.
Algumas horas antes, o presidente ucraniano declarou que "qualquer medida de desescalada deve ser recíproca e contar com garantias concretas".
Os ataques ucranianos contra as refinarias russas, que Kiev classifica como represálias justas diante dos bombardeios de Moscou, irritaram Trump, que cita um agravamento da escassez mundial de combustível.
As críticas de Trump a Zelensky durante o fim de semana acontecem depois do anúncio, na sexta-feira, de um acordo inesperado entre Washington e Moscou para a compra de diesel russo, acompanhado de uma flexibilização das sanções americanas contra a Rússia.
- "Nós, os ucranianos, decidimos nosso destino" -
Após o aumento dos preços dos combustíveis nos Estados Unidos desde o início da guerra contra o Irã no fim de fevereiro, o acordo é visto como uma forma de aliviar os consumidores americanos antes das eleições legislativas de novembro nos Estados Unidos, nas quais o Partido Republicano de Trump corre o risco de perder o controle do Congresso.
"É melhor que ele pare", disse Trump no sábado, dirigindo-se a Zelensky. O americano chegou a "sugerir" aos ucranianos que escolham "um novo líder capaz de alcançar um acordo" de paz com Moscou.
"Antes de mais nada, com todo respeito ao presidente Trump, cabe à nossa sociedade, ao nosso povo, escolher um ou outro líder", respondeu Zelensky em uma entrevista exibida neste domingo pelo canal ABC.
O novo ataque de Trump contra o presidente ucraniano lembra o explosivo encontro entre os dois na Casa Branca em fevereiro de 2025.
Trump exigiu, como faz Moscou, eleições na Ucrânia, algo impossível na situação atual, com o país sob lei marcial.
"Nós, os ucranianos, decidimos nosso destino e nossa liberdade. Somos um povo livre e escolhemos este presidente", afirmou Olessia Gontcharuk, de 40 anos, entrevistada em uma rua de Kiev.
O petróleo que Washington comprar de Moscou "representará o sangue dos nossos homens, dos nossos filhos, das nossas mães", disse.
Zelensky afirmou em várias ocasiões que a Ucrânia poderia organizar eleições em caso de um cessar-fogo de longa duração com Moscou.
"Digam a Putin que nos conceda dois meses, 60 dias de cessar-fogo total, 60 dias, e organizaremos eleições", declarou neste domingo ao canal ABC.
A Rússia rejeitou em várias ocasiões a ideia, com o argumento de que uma longa pausa permitiria um fortalecimento do Exército ucraniano.
F.Kelly--IP