Houthis atacam novamente a Arábia Saudita; FMI teme impacto regional e global
Os houthis do Iêmen reivindicaram, nesta quarta-feira (14), bombardeios contra uma instalação da empresa de petróleo Aramco e o aeroporto de Riade, novo capítulo de uma crise com a Arábia Saudita que preocupa o Fundo Monetário Internacional (FMI) por seu impacto global e regional.
A capital da Arábia Saudita, potência regional e principal exportadora mundial de petróleo, é alvo há mais de uma semana de ataques diários sem precedentes do movimento pró-Irã.
Os bombardeios representam uma escalada na guerra que os houthis travam contra a coalizão liderada por Riade, aliada desde 2015 do governo iemenita reconhecido pela comunidade internacional.
Explosões de grande intensidade voltaram a sacudir a capital do reino, onde os ataques contra o aeroporto deixaram 13 mortos e centenas de feridos no sábado passado. A coalizão afirmou que interceptou um míssil lançado contra Riade.
- Quatro feridos -
O Ministério da Energia saudita informou que um prédio da Aramco em Dhahran, no leste do reino, sofreu um ataque na noite de terça-feira que provocou um incêndio de alcance limitado, sem deixar vítimas.
A cidade abriga a sede da petroleira estatal saudita Aramco, um grande complexo de vários edifícios e unidades de produção. Uma torre foi atingida durante a noite, informaram à AFP dois funcionários da empresa que pediram anonimato.
"As três últimas unidades foram destruídas", declarou um deles. Uma segunda fonte confirmou o ataque.
A AFP não recebeu autorização para entrar no local e, portanto, não conseguiu verificar de maneira independente a magnitude dos danos.
Os houthis anunciaram nesta quarta-feira que atacaram a empresa saudita em Dhahran, assim como o aeroporto de Riade e uma refinaria na capital, ao mesmo tempo em que prometeram prosseguir com os ataques contra as instalações petrolíferas e os aeroportos sauditas.
Durante a manhã, foram ouvidas explosões no centro da capital saudita.
As autoridades informaram que quatro pessoas, entre elas duas mulheres e uma criança, foram feridas por estilhaços de mísseis em Riade.
Nas últimas semanas, a maioria dos ataques teve como alvo instalações localizadas nas imediações da capital. Os bombardeios parecem estar se aproximando agora do centro da cidade, ao considerar os rastros de mísseis observados no céu e as potentes detonações ouvidas pelos moradores.
- Inquietação do FMI -
Ao mesmo tempo, a diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou nesta quarta-feira que os recentes ataques contra a Arábia Saudita podem ter impactos "em todos os lugares", agravando as preocupações econômicas no mundo.
"A economia saudita é importante para a região e para o mundo", declarou Georgieva em uma entrevista coletiva durante as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial em Bangcoc.
"Neste sentido, estes desdobramentos têm efeitos colaterais potencialmente negativos para todos, em todos os lugares", disse.
O agravamento do conflito aumenta os temores sobre o impacto da crise no Oriente Médio para o crescimento econômico mundial. Os preços do petróleo dispararam desde que o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, após os ataques americanos e israelenses contra o país, em fevereiro.
Os ataques executados pelos houthis contra a monarquia petrolífera do Golfo não têm precedentes desde que a coalizão militar entrou em guerra no Iêmen em 2015.
O conflito, que registrou uma trégua em 2022, foi retomado em julho, no contexto da guerra que envolve o Irã. Em setembro, após uma ofensiva relâmpago, os houthis tomaram o litoral iemenita do Mar Vermelho, reforçando seu controle sobre o estratégico Estreito de Bab el-Mandeb.
No Iêmen, apesar dos ataques aéreos da Arábia Saudita, as forças governamentais encontram dificuldades para recuperar os territórios conquistados pelos combatentes pró-Irã, que, entre outras coisas, reforçaram seu controle sobre Taiz, a terceira maior cidade do país.
R.Hamrock--IP