The Irish Press - PMA vai deixar de ajudar meio milhão de pessoas em Gaza por falta de recursos

PMA vai deixar de ajudar meio milhão de pessoas em Gaza por falta de recursos
PMA vai deixar de ajudar meio milhão de pessoas em Gaza por falta de recursos / foto: BASHAR TALEB - AFP/Arquivos

PMA vai deixar de ajudar meio milhão de pessoas em Gaza por falta de recursos

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) anunciou nesta segunda-feira (19) que é obrigado a reduzir suas operações humanitárias em Gaza diante da falta de recursos, o que equivale a 500.000 pessoas sem assistência a cada mês no território devastado pela guerra.

Tamanho do texto:

Devido à "escassez de financiamento (...) meio milhão de pessoas perderão o acesso à ajuda alimentar", lamentou a organização da ONU em um comunicado.

Desde o início da ofensiva israelense na Faixa de Gaza, lançada em resposta ao ataque do movimento islamista Hamas em Israel em 7 de outubro de 2023, a população do território vive "em condições humanitárias extremamente difíceis", apesar da trégua iniciada há um ano.

"São decisões que precisamos tomar para garantir que nossos recursos (...) durem o maior tempo possível", explicou à AFP Shaun Hughes, diretor do PMA nos territórios palestinos, nos escritórios em Beit Hanina, um bairro de Jerusalém Oriental.

"Não é o momento de desviar o olhar do que acontece em Gaza", acrescentou Hughes. Ele destacou que quase 1,4 milhão de pessoas — de um total de 2,1 milhões — "continuam em situação de insegurança alimentar aguda e precisam de ajuda humanitária para sobreviver".

Em agosto de 2025, a Classificação Integrada de Segurança Alimentar (IPC, na sigla em inglês) da ONU declarou situação de fome em Gaza, o que Israel qualificou como "mentira".

Em dezembro, as Nações Unidas anunciaram que o território já não era considerado em situação de fome, graças ao cessar-fogo que havia entrado em vigor dois meses antes e ao aumento do envio de ajuda humanitária.

Desde então, o PMA conseguiu intensificar a assistência, ajudando entre 1,5 e 1,8 milhão de pessoas a cada mês.

"Isto tem sido um salva-vidas. Mas agora, em vez de podermos manter e ampliar a ajuda, nos vemos, na realidade, obrigados a reduzi-la", disse Hughes.

"E não é porque não tenhamos acesso humanitário para distribuir alimentos, e sim porque não contamos com financiamento".

- Menos ajuda para cada família -

Além de diminuir o número de beneficiários da assistência, o PMA também terá que reduzir pela metade os pacotes de alimentos distribuídos.

As famílias que recebem ajuda alimentar passarão agora a obter um pacote de alimentos — em vez de dois — e um saco menor de farinha de trigo, segundo o organismo.

O número de refeições quentes servidas diariamente passará de 250.000 para 150.000, enquanto a ajuda em dinheiro distribuída a 75.000 famílias para a compra de alimentos diminuirá de 1.250 para 750 shekels (de 400 para 240 dólares) por mês.

O PMA é financiado por governos e por doadores privados. A instituição sofreu uma forte queda em seus recursos, entre outras razões, depois que o presidente americano Donald Trump voltou ao poder e reduziu drasticamente as contribuições para as agências da ONU, assim como a ajuda bilateral.

A agência afirma que precisará de quase 450 milhões de dólares nos próximos seis meses para suas operações em Gaza e na Cisjordânia, mas em 2026 recebeu aproximadamente metade do financiamento habitual destinado aos territórios palestinos.

Em setembro, a agência também reduziu pela metade o número de beneficiários da ajuda na Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967, passando de 400.000 para 200.000.

O.Quinlivan--IP