Campanha de Lula pede cassação da candidatura de Flávio Bolsonaro por “interferência” da Meta
A campanha do presidente Lula pediu nesta quarta-feira (21) à Justiça Eleitoral que anule a candidatura de seu adversário, Flávio Bolsonaro, por suposta “interferência” da gigante de tecnologia Meta às vésperas do segundo turno de domingo (25).
A empresa americana por trás do Facebook, Instagram e WhatsApp tem sido alvo de denúncias do presidente por supostamente prejudicá-lo com restrições a conteúdos de campanha em suas plataformas.
Após a vitória do senador no primeiro turno, com 47% dos votos contra 45% de Luiz Inácio Lula da Silva, os dois candidatos aparecem agora em empate técnico nas pesquisas.
O recurso apresentado pela campanha de Lula ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acusa Bolsonaro de “abuso do poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação social”. E pede a cassação de sua candidatura porque ele estaria se beneficiando de uma “manipulação algorítmica” da Meta contra a campanha do atual presidente.
Embora a empresa negue as acusações, reconheceu falhas atribuídas a “problemas técnicos” que, segundo ela, não teriam afetado apenas o Brasil.
“Não é só um problema de transparência, mas também de diligência, ou seja, da capacidade de resolver rapidamente os problemas que aparecem”, disse à AFP João Brant, assessor de estratégia digital da campanha de Lula. Ele afirmou que há preocupação entre os aliados do presidente com um “alinhamento evidente entre a Meta e o governo americano”.
Lula tem denunciado em várias ocasiões que Washington tenta interferir em favor do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), aliado de Donald Trump.
A Meta afirma cumprir as determinações do TSE para garantir igualdade na distribuição de conteúdo das duas campanhas.
Um grupo de especialistas em direitos humanos da ONU instou nesta quarta-feira a Meta a “proteger a expressão política” no Brasil e avaliar se agiu de forma “desproporcional” contra um candidato, sem mencionar qual.
Flávio Bolsonaro também apresentou na terça-feira um recurso ao TSE pedindo a cassação da candidatura de Lula por suposta divulgação em massa de ações de governo durante o período eleitoral por meio de uma conta governamental no WhatsApp.
Após a derrota no primeiro turno, Lula reformulou sua estratégia nas redes sociais. Embora até então não utilizasse celular, afirmou nesta quarta que adquiriu um aparelho, conforme havia prometido ao “Exército de Lula”, canal no WhatsApp com mais de sete milhões de seguidores que se tornou um instrumento central da campanha.
Lula e Flávio têm, respectivamente, 44% e 45% das intenções de voto no segundo turno, de acordo com pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo instituto Quaest. O levantamento mostra que o número de eleitores indecisos aumentou consideravelmente após o debate televisivo realizado no domingo pela Band.
M.Ansbro--IP