Arábia Saudita retoma voos no aeroporto da capital apesar de ataques houthis no Iêmen
Os voos foram retomados neste domingo (25) no aeroporto internacional de Riade, após uma série de ataques mortais contra instalações na capital da Arábia Saudita, enquanto os houthis do Iêmen mantêm sua ofensiva contra o reino.
O fechamento do aeroporto foi um duro golpe para a Arábia Saudita, que, em meio à investida dos houthis, foi obrigada a adiar nesta semana uma importante conferência de investimentos conhecida como "Davos do deserto", prevista para outubro, e a transferir o rali Dakar 2027 para outra sede ainda não definida.
A Arábia Saudita, principal exportador de petróleo do mundo, lidera uma coalizão militar que apoia desde 2015 o governo iemenita reconhecido pela comunidade internacional e luta contra os houthis, aliados do Irã.
Os combates foram retomados em julho após o colapso de uma trégua de quatro anos, abrindo uma nova frente de batalha no conflito no Oriente Médio entre Estados Unidos e Irã e, desde então, o reino sofreu uma série de bombardeios contra seu território.
O site do Aeroporto Internacional Rei Khalid mostra vários voos nacionais e internacionais programados para domingo, incluindo chegadas ao reino provenientes de Dubai, Paris e Cairo.
A retomada das operações no aeroporto aconteceu enquanto várias explosões sacudiam Riade no início da manhã de domingo, depois que os moradores receberam um alerta sobre uma ameaça contra a cidade.
As autoridades sauditas não revelaram à AFP dados adicionais sobre o alcance da retomada das operações no aeroporto, anunciada no sábado. O site de rastreamento Flightradar24 mostra que poucos voos decolaram e a grande maioria foi cancelada.
Os combatentes houthis lançaram uma série de ataques contra o aeroporto, incluindo um bombardeio que matou 13 pessoas há algumas semanas, a ação mais letal em mais de uma década no reino.
O porta-voz militar houthi, Yahya Saree, advertiu neste domingo que o terminal "não é seguro e é um alvo militar".
"As Forças Armadas do Iêmen advertem todas as companhias aéreas regionais e internacionais, assim como os funcionários e os viajantes, contra o uso do Aeroporto Internacional de Riade, porque é inseguro e é um alvo militar de nossas forças", afirmou.
"O regime saudita pagará as consequências de qualquer operação no aeroporto", acrescentou.
- "Tudo treme" -
Um correspondente da AFP em Riade ouviu três explosões na manhã de domingo, depois que os moradores da cidade receberam mensagens em seus telefones celulares sobre uma "ameaça aérea".
Ao mesmo tempo, a coalizão liderada pela monarquia petrolífera anunciou que derrubou dois drones e um míssil balístico lançados pelo grupo pró-iraniano na direção da capital saudita e, posteriormente, outro direcionado à cidade de Khamis Mushait (sul).
"Os bombardeios são muito intensos desde o início da manhã, que Deus nos proteja. Tudo treme com as explosões", declarou à AFP um morador de Khamis Mushait, que abriga uma base aérea.
Também foram emitidas advertências para a cidade vizinha de Abha e outras regiões do sul do país.
A agência saudita de defesa civil informou que duas pessoas ficaram feridas no sul do país devido à queda de escombros e também relatou danos a prédios e veículos.
Na guerra contra a Arábia Saudita, os houthis declararam em julho um bloqueio marítimo contra o reino e, em uma ofensiva relâmpago em setembro, tomaram a costa iemenita do Mar Vermelho e reforçaram seu domínio sobre o estratégico Estreito de Bab el-Mandeb, que liga a Ásia à Europa por meio do Canal de Suez.
A passagem marítima tornou-se crucial para a exportação de petróleo bruto saudita devido ao cerco imposto pelo Irã no Estreito de Ormuz desde o início da guerra no Oriente Médio.
H.Graddy--IP