The Irish Press - Isaac Herzog, o discreto presidente com as chaves do próximo governo de Israel

Isaac Herzog, o discreto presidente com as chaves do próximo governo de Israel
Isaac Herzog, o discreto presidente com as chaves do próximo governo de Israel / foto: ABIR SULTAN - POOL/AFP/Arquivos

Isaac Herzog, o discreto presidente com as chaves do próximo governo de Israel

O presidente de Israel, Isaac Herzog, exerce funções em geral protocolares e com um papel discreto. Mas, nos próximos dias, ele terá a delicada tarefa de indicar a pessoa responsável por formar o próximo governo do país.

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Com a grande maioria dos votos já apurados nas eleições legislativas, a coalizão de Benjamin Netanyahu está à frente do bloco da oposição, mas sem maioria para nenhum dos lados.

Isso deixa nas mãos de Herzog uma decisão determinante para o futuro político do primeiro-ministro israelense.

Assim que forem anunciados os resultados oficiais, Herzog, conhecido por seu caráter prudente, consultará os representantes dos diferentes partidos antes de designar o candidato em melhores condições para formar o governo, que não precisa necessariamente ser o líder da legenda mais votada.

A lei concede ao presidente uma ampla margem de manobra, sem estabelecer critérios precisos para orientar sua escolha.

Antes das eleições, Isaac Herzog reconheceu em uma entrevista ao canal americano MS Now que enfrentaria fortes pressões, mas garantiu que "nem o presidente dos Estados Unidos, nem qualquer outra pessoa" poderia interferir em sua decisão.

Com a meta de evitar novas eleições, ele pediu na quarta-feira aos partidos que façam "todo o possível" para formar uma coalizão.

Antes, ele havia se declarado disposto a apoiar um governo de unidade nacional entre Benjamin Netanyahu e seu principal rival, Gadi Eisenkot.

- Família influente -

Discreto, diplomático e profundo conhecedor dos bastidores da política israelense, Herzog, de 66 anos, é herdeiro de uma das famílias mais influentes de Israel, às vezes comparada à dinastia Kennedy nos Estados Unidos.

Apelidado de "Bouji" por sua mãe, de origem egípcia, este advogado de formação é filho de Chaim Herzog, ex-chefe da inteligência militar e embaixador na ONU, que foi presidente de Israel entre 1983 e 1993.

Seu tio, Abba Eban, foi ministro das Relações Exteriores, e seu avô, Isaac Halevi Herzog, foi o primeiro grande rabino asquenaze do Estado de Israel.

Nascido em Tel Aviv em 1960, ele passou alguns anos nos Estados Unidos, antes de servir na inteligência militar e estudar Direito.

Eleito deputado em 2003, ocupou várias pastas ministeriais antes de assumir, uma década depois, a direção de um Partido Trabalhista (de centro-esquerda) em plena crise.

Em 2015, Herzog, frequentemente alvo de piadas por causa de sua voz aguda, tentou desalojar Benjamin Netanyahu do poder, apresentando-se como uma alternativa moderada.

Ele não teve sucesso e Netanyahu acabou se tornando o primeiro-ministro com mais tempo no cargo em Israel.

- Um "homem digno" -

Eleito presidente em 2021 por uma esmagadora maioria parlamentar para um mandato de sete anos, Herzog recebeu então elogios do líder da oposição no Parlamento, Yair Lapid, que o descreveu como "um homem digno e maravilhoso, sempre preocupado com o bem do país e do povo judeu".

Desde então, suas relações com o primeiro-ministro foram testadas, em particular pelas pressões de Donald Trump para que conceda indulto a Netanyahu, processado por corrupção.

No plano diplomático, o chefe de Estado, casado com uma advogada e pai de três filhos, defendeu durante muito tempo a retomada do diálogo israelense-palestino.

Dez dias após assumir a liderança do Partido Trabalhista em 2013, ele se reuniu com o presidente palestino Mahmoud Abbas em Ramallah, na Cisjordânia ocupada.

Dois anos mais tarde, prometeu reativar o processo de paz, a ponto de declarar-se disposto a evacuar colônias israelenses, se necessário.

Mas, após o ataque do movimento palestino Hamas em 7 de outubro de 2023, apoiou a devastadora guerra de represália lançada por Israel na Faixa de Gaza.

Em março, também celebrou a guerra de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, iniciada em fevereiro, que chamou de "ponto de inflexão histórico".

"Depois de guerras intermináveis por mais de uma geração, de banhos de sangue e terror, a causa profunda de tudo isso, que vem de Teerã, será bloqueada e detida, e a trajetória de toda a região será transformada", declarou em entrevista à AFP em Jerusalém.

N.Connor--IP