The Irish Press - Charles III inicia viagem pelo Caribe marcada por pedidos de reparações pela escravidão

Charles III inicia viagem pelo Caribe marcada por pedidos de reparações pela escravidão
Charles III inicia viagem pelo Caribe marcada por pedidos de reparações pela escravidão / foto: Aaron Chown - POOL/AFP

Charles III inicia viagem pelo Caribe marcada por pedidos de reparações pela escravidão

O rei Charles III iniciou nesta terça-feira (27), nas Bahamas, uma viagem pelo Caribe, região onde são esperados pedidos oficiais de desculpas e reparações pela escravidão durante o período colonial, descrito pelo monarca como "os dias mais sombrios" da história britânica.

Tamanho do texto:

O rei, de 77 anos, que atualmente está em tratamento contra um câncer cuja natureza não foi revelada, também destacará durante a viagem as ameaças climáticas enfrentadas pelas ilhas de baixa altitude.

Primeiro, ele visitará as Bahamas, no Caribe, e a Guiana, na costa norte da América do Sul, antes de se encontrar com sua esposa, a rainha Camilla, para a última etapa da viagem, em Antígua e Barbuda. Lá, participará da reunião bienal dos chefes de governo dos 56 países da Commonwealth, que será realizada de 1º a 4 de novembro.

A Commonwealth é uma associação voluntária de 56 países independentes, em sua maioria antigos territórios do Império Britânico, que mantêm vínculos históricos com o Reino Unido.

Nas Bahamas, espera-se que Charles III reconheça "o grande sofrimento do passado nestas ilhas", segundo trechos do discurso previsto para um evento com jovens.

"A programação desta visita não tentará evitar 'os dias mais sombrios do nosso passado', nas palavras de Sua Majestade", informou o Palácio de Buckingham no início de outubro, antes desta viagem de nove dias.

No entanto, algumas antigas colônias exigem que o rei vá além no reconhecimento e na reparação dos danos causados pela colonização e pelo tráfico de escravizados, cujos lucros beneficiaram seus antepassados durante séculos.

No início de setembro, o governo da Jamaica apresentou um pedido ao rei para "fazer avançar a campanha em favor das reparações aos antepassados africanos que sofreram centenas de anos de escravidão".

— Pedidos de desculpas, "a próxima etapa" —

O presidente da Guiana, Irfaan Ali, que tem um encontro previsto com Charles III, declarou à ITV News que reconhecer os "dias sombrios" da colonização é apenas um "primeiro passo".

"Avançar para os pedidos de desculpas constitui a próxima etapa", afirmou.

Embora já tenham sido expressas manifestações de pesar pelo papel central desempenhado pelo Reino Unido na escravidão, nenhum monarca britânico apresentou até agora um pedido oficial de desculpas.

Além disso, Londres sempre rejeitou a ideia de uma compensação financeira.

Em 2022, uma viagem do príncipe herdeiro William e de sua esposa, Kate, pelo Caribe terminou em fiasco, marcada por manifestações hostis à monarquia e apelos ao pagamento de reparações.

A secretária-geral da Commonwealth, a ganesa Shirley Ayorkor Botchwey, declarou recentemente que um pedido de desculpas do rei "não faria mal algum".

Ayorkor também considerou que "chegou o momento" de abordar a questão das reparações, seja por meio de indenizações financeiras ou de outras formas de compensação.

— Reunião da Commonwealth —

Por outro lado, o Palácio de Buckingham destacou que a visita proporcionará aos países do Caribe a oportunidade de abordar questões urgentes, como as mudanças climáticas.

Nas Bahamas, Charles também pretende destacar os desafios enfrentados pelas ilhas em decorrência das mudanças climáticas e afirmará que "nosso mundo clama por cura".

Charles III, que há décadas defende a proteção do meio ambiente, visitará um projeto de restauração de recifes de coral em Antígua e Barbuda e iniciativas de conservação da floresta tropical na Guiana.

Ele também participará de eventos culturais, se reunirá com jovens e comparecerá às celebrações da independência de Antígua e Barbuda.

Embora a reunião dos chefes de governo, que será realizada em Antígua e Barbuda, se concentre principalmente nas oportunidades de investimento e comércio entre os países-membros, também será discutida a elaboração de políticas para reforçar a capacidade de adaptação às mudanças climáticas.

"Muitos dos países afetados pelas mudanças climáticas não estão entre os principais poluidores e, ainda assim, são eles que sofrem suas consequências mais graves", declarou Shirley Ayorkor Botchwey à AFP na sexta-feira.

Sem querer retomar a questão da escravidão, Ayorkor considerou "possível que os líderes troquem opiniões sobre justiça reparatória" durante o encontro e acrescentou que a Commonwealth "apoiaria" os países que participarem desses debates.

"A Commonwealth é uma organização que nunca evitou as questões difíceis", afirmou.

F.P.Kavanaugh--IP